terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PESQUISA: Mitos no Cinema

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Joseph Campbell é um mitólogo, especialista em estruturas comparadas nos mitos e religião. Um grande universalista, que conhece bem as aplicações dos arquétipos do Jung na cultura humana milenar. E o Campbell é particularmente famoso por ter colaborado no cinema, especialmente a partir do enredo de Star Wars de George Lucas.

A série de filmes orientada por Joseph Campbell intencionalmente utiliza estruturas mitológicas e psíquicas comuns - a conversão à sombra, a luta com o pai, a jornada do herói. Campbell observou que a literatura e cinema sempre utilizaram arquetipicamente os mitos sem perceber. Tanto que ele propõe que, talvez, haja um só grande mito no mundo, com diversas variações: O MITO DA JORNADA DO HERÓI. E Campbell disseca as estruturas e variações desse mito, desse herói que cumpre tarefas, que às vezes desce aos infernos, que tem um paraíso a resgatar, que desce aos infernos, que é tentado pela sua própria sombra, que pode ser crucificado, que se redime, que transcende. que ganha o direito de viver em paz com sua amada, ou de ganhar os céus. ESSA É A HISTÓRIA DE CADA UM DE NÓS, e também a de cada um de nossos deuses e heróis: Jesus Cristo, Hércules, Duro de Matar, Matrix, Luke Skywalker no Star Wars, Moisés no Egito, Avatar.

Depois de Campbell, o cinema ficou menos bobinho psiquicamente, o que se uniu com um tempo em que ficou também mais agressivo comercialmente. Entramos na era da globalização com uma indústria de massa mundial, que agora vendia home-videos nos anos 80 e 90. E a partir daí, com muito Jung, Freud e Campbell usados INTENCIONALMENTE nos enredos, os cineastas perceberam que se usassem estruturas comuns aos mitos e religiões que ressoam na humanidade com poucas variações há milênios, acabariam tocando "não se sabe porquê" em algo muito mais profundo da psique. Se as pessoas se identificam tanto, por milênios, com essas histórias que tem uma estrutura comum (arquétipos); então é claro que uma obra comercial que use e abuse desses MESMOS arquétipos não só venderá muito, muito mais; como também terá um impacto "viral". E, num mundo sem muita espiritualidade, será tomada inconscientemente quase como uma religião substituta. Devidamente descartável e substituída a seguir, para lucro das coorporações. Você pode notar isso nos fãs de Star Trek, nos colecionadores de Matrix, Indiana Jones e outras séries de "Jornada do Herói"; e, mais recentemente, na profunda identificação quase religiosa que as adolescentes tem entre Crepúsculo E/OU Hary Potter. Há turmas que gostam de um e nem tanto do outro. É quase um orixá, um time de futebol, um SIGNIFICANTE, nos termos de Lacan. Mas estamos falando de obras que INTENCIONALMENTE manipulam conceitos psicológicos profundos de maneira arquetípica. Vampiros, o encontro do amor, a sensação de impossibilidade romântica na adolescência. Não podemos dizer que sejam temas originais, não é?

Por isso, há muito de TRISTÃO E ISOLDA e de PARSIFAL E O GRAAL em tudo quanto for obra dos 1000 anos que os seguiram. Shakspeare era também um grande copiador. E não é só em Romeu & Julieta, Eros & Psique, Tristão & Isolda que vamos encontrar essa estrutura do amor impossível, ou do herói que faz vários trabalhos para ganhar o direito ao beijo feliz do final. Seria impossível citar quantos Shreks & Fionas repetem essa estrutura do mito, do herói, da jornada, das dificuldades, dos 12 trabalhos e do beijo final.

Até mesmo filmes de tragédia, ação, catástrofe, terror, luta, faroeste ou comédia precisam, na grande maioria, deste beijo no final. Ou de um outro equivalente de sentido. Afinal, só terá público se o público se identificar! Tipo "Tá, este herói está se f... bem mais do que eu passo no dia a dia, mas porque raios mesmo é que faz(emos) isso?". Se o filme não traz uma solução de SENTIDO - mesmo que seja um beijo no final, a luta pela "amada" JulietPsiqueIsolda; ou a salvação de um povo - ficará uma sensação de filme de "arte", mas carecerá do apoio popular que faz um INCONSCIENTEMENTE indicar para o outro e a indústria faturar dezenas (ou centenas) de milhões de dólares.
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no site Voadores

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